A novela do visto residente – Capítulo Final


Depois do exame se sangue sinistro, da entrevista, da matrícula na embaixada do Brasil (que se resumiu a ir lá e preencher uns papéis, nem valia a pena postar a respeito), mais um encontro foi marcado com o departamento de Recursos Humanos do hotel, e com antecedência de cinco dias. Seria o encontro “final” para minha residência.

Chegado o dia do encontro (que fizeram questão de marcar com cinco dias e me relembrar duas vezes a respeito), eu cheguei ao RH às 14 horas. Saí de carro com a responsável do departamento, que me levou na Polícia Federal daqui. No caminho ela tentava me convencer de que a Argélia é legal. E eu tentando fazer ela entender que ser estrangeiro em um país que se recusa a falar inglês porque acha que francês é a língua mais linda do mundo não é fácil. Mas eu deixei claro para ela que apesar de tudo, se eu achasse a Argélia “tão ruim assim”, jamais teria voltado. Tem seu lado bom, como a comida. Assim ela não ficou tão chateada.

Chegando na Polícia Federal, ninguém falou comigo, apenas com ela. Tive que assinar um documento em três vias, “na fé” pois estava em árabe e ela se limitou a me dizer que “era a minha residência”. E pronto. Eu saí do hotel “apenas” para assinar um documento. E ser “residente” na Argélia.

No carro, no caminho de volta, ela me disse que daqui a três meses seria necessário renovar a minha residência. Eu falei para ela que não, afinal meu contrato termina no final de janeiro. Ela primeiro me perguntou se eu tinha “certeza” disso. Mas eu de fato tinha certeza pois no dia anterior havia checado a respeito com o gerente. Ela reclamou... que havia feito TODO o procedimento para eu ficar só esse tempo. Nossa, o que ela quer mais? Que eu me mude para o Sheraton e trabalhe aqui por tempo indeterminado só para ela não precisar mais fazer “todo o procedimento” do visto residente da bailarina? Eu hein...

E assim termina a novela do visto residente. A minha residência aqui se resume a uma folha de papel com a minha foto, alguma coisa escrita em árabe e assinaturas de três pessoas diferentes, incluindo eu. No meu passaporte não tem nada, apenas o visto de turista que peguei ainda no Brasil . E não entendo que tipo de residência é essa que a pessoa precisa renovar a cada três meses. Definitivamente... tem coisas que só acontecem por aqui.