O camarim do Louge Bar

Toda Quinta e Sexta (final de semana aqui) eu danço um set extra no Louge Bar do hotel, o “1001 Nuits”. Adoro dançar lá, por duas razões: está sempre lotado nos finais de semana e o público está sempre disposto a se divertir, diferente do público pomposo que é freqüentador do restaurante árabe.

Há um pequeno camarim no 1001 Nuits, que depois de ver três bandas residentes ocuparem ao trabalhar por aqui, concluí que ele assume a cara da banda que toca no local. Eu passo por ali por minutos, antes e depois do show, mas a banda que passa quatro, cinco horas tocando lá, acaba realmente utilizando aquele espaço. Para mim é engraçado ver como aquela sala pode parecer diferente, seguindo o padrão do grupo.

Quando eu cheguei aqui pela primeira vez em 2007 a banda era argelina, composta por uns 10 músicos. Todos usavam preto e faziam muito além de música, “barulho”. O pouco tempo que eu dividia o camarim com eles, eles estavam bebendo e fumando. Eram cordiais comigo, mas bebiam bastante. Eles ficaram poucos dias até a banda italiana chegar.

Quando a banda italiana chegou, composta por quatro integrantes, duas vocalistas, um tecladista e um percussionista, o camarim mudou de figura. Parecia mais claro, mais limpo e organizado. Não via eles bebendo álcool, na maioria das vezes eles tomavam Red Bull, sucos e refrigerantes. Muita classe na forma de se vestir, na postura que assumiam no palco e eram de fato bons músicos, que tocavam, inclusive, músicas árabes.

Agora no meu retorno em 2009, encontrei uma banda da Hungria. São quatro integrantes, duas vocalistas, um guitarrista e um tecladista. São pessoas discretas, que falam pouco. Diferente da banda italiana, eles moram fora do hotel, o Sheraton alugou uma casa para eles, e por isso, eles acabaram trazendo tudo o que podem precisar durante o show para o camarim. O espaço ficou bastante apertado. De um lado uma arara com roupas, em uma parede duas cadeiras, em outra duas cadeiras, uma mesa e um cabideiro cheio de chapéus e roupas. É organizado, mas ficou um ambiente muito “deles”.

Ontem foi meu último show no 1001 Nuits, no próximo final de semana já não estarei por aqui. Sentirei falta daquele ambiente do Louge Bar e das pessoas que trabalham lá, mas o meu trabalho é assim mesmo. E o camarim, por enquanto, permanecerá com a cara da banda da Hungria, pois eles continuarão por aqui por mais algum tempo.