No Correio de Bahrein


Precisei ir ao Correio ontem, pois a bailarina que estava aqui antes de mim esqueceu um casaco lindo e pediu que eu enviasse para ela pelo Correio. Embalei o casaco, coloquei numa caixa, enderecei, passei fita adesiva e fui para o Correio. Chegando lá o atendente me chamou, mas falava comigo e um indiano ao mesmo tempo. Pelo que escutei da conversa, este indiano estava com um problema, queria enviar alguma coisa pela empresa em que ele trabalha e pagar com cheque da empresa. O atendente não queria aceitar o cheque. O indiano queria voltar na empresa para ver se trocava o cheque por dinheiro, mas não tinha certeza se o departamento responsável aceitaria. O atendente ficou preocupado, pois eles já tinham realizado o procedimento, e se precisasse cancelar, ele teria que fazer um relatório justificando o cancelamento. Então ele pediu para o indiano esperar 10 minutos que ele iria pedir para o supervisor se poderia aceitar o cheque. E eu esperando.

Quando ele me atendeu, deu 4 papéis diferentes para preencher. Enquanto isso reclamou que o endereço do meu hotel estava incompleto. Ele queria que eu ligasse no número que eu havia colocado no remetente para verificar o endereço, mas era o número do meu celular. Ele perguntou se poderia então manter contato “para amizade”. Eu perguntei se ele tinha o costume de pedir os telefones dos clientes. Ele insistiu me perguntando se “não havia chance”. Eu falei que ele não estava sendo profissional.

Neste meio tempo, enquanto eu preenchia os 4 papéis, ele foi resolver o problema do indiano com o cheque da empresa e eu fiquei esperando, até que outro atendente resolveu me atender. Finalizou o procedimento, viu o final do endereço do hotel para mim, paguei, estava tudo certo. O “detalhe” é que aqui em Bahrein, por algum motivo eles passam um barbante na caixa, sempre.

Ele não achava a tesoura para cortar o barbante. Perguntou se eu tinha uma tesoura na bolsa. Imediatamente me lembrei da Nazaré da novela “Senhora do Destino”, que andava com uma tesoura na bolsa. De fato eu não tinha, mas falei pra ele que da próxima vez que fosse ao correio levaria uma tesoura na bolsa (estilo Nazaré).

As trapalhadas continuaram. O colega do guichê ao lado achou um cortador de unha. Tentaram cortar com o cortador de unha, de todas as formas que você pode imaginar, inclusive um segurando o barbante e o outro tentando cortar e nada. No fim, ele me disse que eu poderia ir, me deu o recibo e disse que mais tarde quando encontrasse a tesoura passaria o barbante na caixa.

Assim funciona o atendimento no Correio de Bahrein! Se um dia você estiver aqui e precisar enviar algo pelo correio, lembre-se de levar uma tesoura na bolsa.